A nossa vida é uma estrada por onde trafegam muitas pessoas, entre estas tem aquelas que nos acrescentam muito, mesmo sem saber que fazem isto. Em minha vida uma destas pessoas foi o Evandro da maternidade, passei apenas 6 meses em sua presença, e aprendi sobre mim mais do que havia aprendido comigo mesma em 18 anos.
Todos os dias na maternidade ele me observava. Observava como eu reagia a todas as situações, como eu falava, quando eu falava, onde sentava e como me portava, sendo assim como consequência formulava teorias ao meu respeito (era difícil de acreditar que lhe ocorria passar todo o seu tempo fazendo estas coisas), certas teorias eram tolas, mas outras faziam sentido. Certa vez, ele chegou a mim e disse que o meu tom de voz era o mais baixo de todos do laboratório pois eu queria chamar atenção, se eu falo baixo, logo todos parariam para escutar. Eu nunca havia pensado nisso, na verdade era pura timidez, o fato era que realmente quando eu falava era bem difícil que outra pessoa falasse junto comigo.
Algumas teorias do Evandro ajudavam a compreender-me, em uma outra ocasião ele disse-me que eu era um amontoado de sensações que não era expressado, e que isso fazia com que eu gostasse de muitas coisas, claro que isso tinha um lado bom, mas é claro que tinha um lado ruim, como por exemplo a escolha de uma profissão.
O fato de eu amar muitas coisas, me deixa confusa, aflita, me deixa em conflito comigo e com tudo que me rodeia, principalmente com as pessoas. Amar muitas coisas faz de mim uma pessoa com muitos começos e poucos finais, e isso me torna aflita, e é por este motivo que eu queria ser Alvaro de Campos, por adorar todas as coisas, e ser um engenheiro (ele, engenheira, eu) angustiado. "Apesar de não ser nada, [...] possuo todos os sonhos do mundo"- Tabacaria. Possuo todos os sonhos, quero todas as coisas, "amo todas as coisas, amo tudo, animo tudo". Quero estar sozinha e ao mesmo tempo não, quero expor minhas ideias e quero rete-las. Quero poder não mais rotular pessoas e situações, queria perder o desejo de possuir coisas e pessoas, aliás, queria poder me convencer de que consumir não é bom. Queria poder me interessar mais por política sem julgar o meu país como infantil assim que começo a pesquisar sobre. Queria poder tocar violão (pra valer), queria poder ter alguém para conversar meus tipos de músicas. Queria poder dizer minhas confissões de Brás, para ele era fácil confessar aquelas coisas, pois estava morto, eu estou viva, ou talvez acho que estou. Eu queria poder parar de duvidar de Deus e achar que Ele é motivo suficiente para eu ter uma razão na vida, mas na verdade a vida me dá 1000 motivos para que ela tenha uma razão, mas no minuto seguinte me dá 1001 motivos para que ela não tenha razão alguma; mesmo que às vezes pareça que ela não tenha razão, eu "tenho pela vida um interesse ávido". Eu gosto de pertencer a MPB, ao samba, ao Rap, ao antigo, ao novo, ao realista, ao romântico, ao popular, ao erudito, sim, "eu pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio", mesmo que isso pareça ilógico e talvez seja, mas a lógica talvez seja relativa, quem estabelece a norma?
De fato, eu adoro todas as coisas da vida, mas a vida... "A vida é uma grande feira, e tudo são barracas e saltimbancos. Penso nisso, enterneço-me, mas não sossego nunca".
E eu que queria ser poeta...
Desvarios e Epifanias...
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
O sol e a gramínea
Dentre tantas possibilidades de se haver o amor, este teve que existir entre uma simples gramínea e o todo poderoso sol. Sim, incrivelmente uma única gramínea, dentre tantas outras plantas do mundo, outras mais bonitas, mais vistosas, mais interessantes, mais bem distribuídas geograficamente, com mais adaptações, entre outras qualidades. Mas o sol escolheu esta gramínea, tão comum, tão sem valor...
Vamos aos fatos; O sol estava atarefado brincando de dar a vida na terra para os seres, todo dia o sol se levantava e fazia o seu trabalho, incansável. O sol sempre tão gentil, sempre educado, sempre preciso pra ouvir e falar, o sol tinha tudo, ele era tudo, mas lhe faltava algo; acontece que este algo ele encontrou em uma grama, perto de um campo que há muito havia sido Queimado (isso não diz nada, só é para dar exatidão de espaço). A grama era comum, era verde, frágil, digamos que poderia ser notar até um certo ar de pureza. Os cronistas não sabem como o sol notou aquela grama, o que a tornaria tão especial? Talvez fosse o seu modo de lidar com as adversidades. Tomemos como exemplo o vento, a gramínea nasce, cresce, entra em floração, dá seu fruto, e depois o vento o leva para outros arredores, mas que vida é essa em que se dorme, se sonha, acorda, cria seus sonhos para depois o vento levar? Ahhh sim, a gramínea tinha algo especial... Apesar de pequenos, ela tinha muitos sonhos.
A ironia do conto se encontra na situação onde os sonhos da gramíneas eram outros e nem de longe pensava em se envolver com o sol, mas durante muitos dias o sol surgia para aquele campo com uma alegria Nova, fizera dali o seu lugar favorito.
Um certo dia o sol perguntou a gramínea se ela gostava da chuva, ela disse que só de alguns pingos, o sol refletiu e concordou que apenas os pingos eram suficientes para ela. Bom este diálogo nem de longe é importante, mas é o primeiro diálogo entre os dois que relatam os cronistas.
O sol e a gramínea se tornaram grandes amigos, conversavam todos os dias, um dia o sol contou a gramínea que tinha se envolvido com a lua, algo que foi muito proveitoso, pois a partir disso sol adquiriu experiência para manter a sua função: dar vida. Mas esse caso não deu certo, e os cronistas não sabem porque... Isso entristeceu a pobre gramínea, como ela poderia conquistar o sol? O grande sol que já tivera para si a própria lua...
A resposta é que ela não precisaria conquista-lo. Vejamos este incrível diálogo:
-Minea (era como ele a chamava), eu preciso dizer que toda vez que ilumino outra parte há uma vontade em mim de lhe aquecer, pois quero estar sempre perto de você, eu te amo.
-Sol (era como ela o chamava, ora, só de pronunciar este nome algo acontecia em seus vasos condutores de seiva) eu também te amo, e você literalmente é a minha vida, minha vida se resume em querer estar com você e te amar.
Um lindo diálogo, o que se esperar de uma grama e o sol?
Enfim, eles ficaram juntos, por um tempo... Mas, espere! O sol precisa iluminar outra parte, o sol sempre gentil, bondoso e atencioso precisava iluminar e avivar outros campos, sim precisava, a gramínea não se importava pois sabia que era necessário, mas sentia muito a falta do sol, chegava a murchar, e o sol se sentia péssimo em deixar a gramínea, eles entenderam que onde existe amor, mutuamente o sacrifício existirá. Mas ao passar mais um tempo, o sol percebeu que o seu calor muito próximo afetava a gramínea, mas por amor ela não se importava, o sol ficou assaz incomodado, e pediu para que eles ficassem um tempo longe, esperando para que eles pudessem se curar, ela das queimaduras e ele da dor de ver sua amada tão queimada...
Os cronistas dizem que durante esse tempo o sol continuou dando a vida, aquecendo outros seres, afinal ele era o sol, a luz da vida, a chama da sobrevivência, os outros precisavam dele. A gramínea, pobre, ficou marcada, e sofrendo durante a noite, esperando o sol de sua vida reaparecer, ela só queria dizer, que as marcas que ela tinha só lhe recordava o bom, que mesmo dolorido, aquilo representava amor, e nada do que pudesse acontecer iria mudar o ato e o fato de amá-lo, será que ele não conseguiu perceber que a pobre o amava com a própria vida? Ela o amou, eles se amaram e se amam, mas o medo de se machucarem é maior.
Este não é o fim para a gramínea e para o sol, esse conto não terá um fim, afinal de contas sempre há a primavera para a gramínea florescer e sempre há o amanhã para o sol nascer...
Vamos aos fatos; O sol estava atarefado brincando de dar a vida na terra para os seres, todo dia o sol se levantava e fazia o seu trabalho, incansável. O sol sempre tão gentil, sempre educado, sempre preciso pra ouvir e falar, o sol tinha tudo, ele era tudo, mas lhe faltava algo; acontece que este algo ele encontrou em uma grama, perto de um campo que há muito havia sido Queimado (isso não diz nada, só é para dar exatidão de espaço). A grama era comum, era verde, frágil, digamos que poderia ser notar até um certo ar de pureza. Os cronistas não sabem como o sol notou aquela grama, o que a tornaria tão especial? Talvez fosse o seu modo de lidar com as adversidades. Tomemos como exemplo o vento, a gramínea nasce, cresce, entra em floração, dá seu fruto, e depois o vento o leva para outros arredores, mas que vida é essa em que se dorme, se sonha, acorda, cria seus sonhos para depois o vento levar? Ahhh sim, a gramínea tinha algo especial... Apesar de pequenos, ela tinha muitos sonhos.
A ironia do conto se encontra na situação onde os sonhos da gramíneas eram outros e nem de longe pensava em se envolver com o sol, mas durante muitos dias o sol surgia para aquele campo com uma alegria Nova, fizera dali o seu lugar favorito.
Um certo dia o sol perguntou a gramínea se ela gostava da chuva, ela disse que só de alguns pingos, o sol refletiu e concordou que apenas os pingos eram suficientes para ela. Bom este diálogo nem de longe é importante, mas é o primeiro diálogo entre os dois que relatam os cronistas.
O sol e a gramínea se tornaram grandes amigos, conversavam todos os dias, um dia o sol contou a gramínea que tinha se envolvido com a lua, algo que foi muito proveitoso, pois a partir disso sol adquiriu experiência para manter a sua função: dar vida. Mas esse caso não deu certo, e os cronistas não sabem porque... Isso entristeceu a pobre gramínea, como ela poderia conquistar o sol? O grande sol que já tivera para si a própria lua...
A resposta é que ela não precisaria conquista-lo. Vejamos este incrível diálogo:
-Minea (era como ele a chamava), eu preciso dizer que toda vez que ilumino outra parte há uma vontade em mim de lhe aquecer, pois quero estar sempre perto de você, eu te amo.
-Sol (era como ela o chamava, ora, só de pronunciar este nome algo acontecia em seus vasos condutores de seiva) eu também te amo, e você literalmente é a minha vida, minha vida se resume em querer estar com você e te amar.
Um lindo diálogo, o que se esperar de uma grama e o sol?
Enfim, eles ficaram juntos, por um tempo... Mas, espere! O sol precisa iluminar outra parte, o sol sempre gentil, bondoso e atencioso precisava iluminar e avivar outros campos, sim precisava, a gramínea não se importava pois sabia que era necessário, mas sentia muito a falta do sol, chegava a murchar, e o sol se sentia péssimo em deixar a gramínea, eles entenderam que onde existe amor, mutuamente o sacrifício existirá. Mas ao passar mais um tempo, o sol percebeu que o seu calor muito próximo afetava a gramínea, mas por amor ela não se importava, o sol ficou assaz incomodado, e pediu para que eles ficassem um tempo longe, esperando para que eles pudessem se curar, ela das queimaduras e ele da dor de ver sua amada tão queimada...
Os cronistas dizem que durante esse tempo o sol continuou dando a vida, aquecendo outros seres, afinal ele era o sol, a luz da vida, a chama da sobrevivência, os outros precisavam dele. A gramínea, pobre, ficou marcada, e sofrendo durante a noite, esperando o sol de sua vida reaparecer, ela só queria dizer, que as marcas que ela tinha só lhe recordava o bom, que mesmo dolorido, aquilo representava amor, e nada do que pudesse acontecer iria mudar o ato e o fato de amá-lo, será que ele não conseguiu perceber que a pobre o amava com a própria vida? Ela o amou, eles se amaram e se amam, mas o medo de se machucarem é maior.
Este não é o fim para a gramínea e para o sol, esse conto não terá um fim, afinal de contas sempre há a primavera para a gramínea florescer e sempre há o amanhã para o sol nascer...
quarta-feira, 30 de julho de 2014
E o que eu sei em 19 anos?
Em quase 20 anos descobri que somos um poço de contrariedades, nossas atitudes diárias nos condena, mas isso está ligado ao fato de homem ser assaz inconstante, talvez aí esteja a graça da vida: essa inconstância e essa metamorfose diária, essa vontade de sempre nos tornarmos melhores.
Nesse tempo descobri que em gente tão pequena cabe uma quantidade enorme de amor. Descobri também que a Jéssica é aquela pessoa que pega a minha loucura, une com a dela e transforma tudo em uma coisa só. Entendi, enfim, que a distância serve pra fortalecer relações com pessoas que nutre por você sentimentos verdadeiros. Me convenci de que o Mateus é chato, me convenci também de que preferimos certas pessoas, me convenci de que a Tulany é louca, que amo a Allana, a Lara e a Bianca, que sou metade sem a Caróu, que a Kassia me acha esquisita e que realmente sou. Aprendi que saudade não mata, mas ela quase enlouquece.
Entendi que medo é inevitável e que arriscar é preciso. Entendi com grande alegria que a Ana sempre zela por mim, e aprendo desde criança que a dona Claudeci tem asas que me protegem aonde eu for.
Descobri infelizmente (ou não) que as melhores verdades do mundo são clichês. Convivi com diversos tipos de pessoas, a maioria especial na sua singularidade, pessoas legais, ou não, sinceras, fingidas, forçadas, loucas, amáveis, lindas, fofas, chatas, irritantes, seja como for, contribuíram para o meu crescimento.
Sim, quase 20 anos e a Décima Champions do Real chegou, e a Premier League do Gerrard? Essa ainda não. Títulos que provam que não precisam existir para o amor por meus times permanecer intacto.
É... 19 anos é o fim de muitas coisas e é o começo/recomeço de coisas novas. E as certezas que me cercam nesse momento é: 1. Machado de Assis é o melhor escritor do mundo,
2. Fernando Anitelli é o melhor letrista do Brasil
3. Minha mãe é a melhor de todas
4. Tenho os melhores amigos do mundo.
5. Que nos próximos minutos tudo será saudade e reminiscências de cada minuto anterior vivido...
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