Dentre tantas possibilidades de se haver o amor, este teve que existir entre uma simples gramínea e o todo poderoso sol. Sim, incrivelmente uma única gramínea, dentre tantas outras plantas do mundo, outras mais bonitas, mais vistosas, mais interessantes, mais bem distribuídas geograficamente, com mais adaptações, entre outras qualidades. Mas o sol escolheu esta gramínea, tão comum, tão sem valor...
Vamos aos fatos; O sol estava atarefado brincando de dar a vida na terra para os seres, todo dia o sol se levantava e fazia o seu trabalho, incansável. O sol sempre tão gentil, sempre educado, sempre preciso pra ouvir e falar, o sol tinha tudo, ele era tudo, mas lhe faltava algo; acontece que este algo ele encontrou em uma grama, perto de um campo que há muito havia sido Queimado (isso não diz nada, só é para dar exatidão de espaço). A grama era comum, era verde, frágil, digamos que poderia ser notar até um certo ar de pureza. Os cronistas não sabem como o sol notou aquela grama, o que a tornaria tão especial? Talvez fosse o seu modo de lidar com as adversidades. Tomemos como exemplo o vento, a gramínea nasce, cresce, entra em floração, dá seu fruto, e depois o vento o leva para outros arredores, mas que vida é essa em que se dorme, se sonha, acorda, cria seus sonhos para depois o vento levar? Ahhh sim, a gramínea tinha algo especial... Apesar de pequenos, ela tinha muitos sonhos.
A ironia do conto se encontra na situação onde os sonhos da gramíneas eram outros e nem de longe pensava em se envolver com o sol, mas durante muitos dias o sol surgia para aquele campo com uma alegria Nova, fizera dali o seu lugar favorito.
Um certo dia o sol perguntou a gramínea se ela gostava da chuva, ela disse que só de alguns pingos, o sol refletiu e concordou que apenas os pingos eram suficientes para ela. Bom este diálogo nem de longe é importante, mas é o primeiro diálogo entre os dois que relatam os cronistas.
O sol e a gramínea se tornaram grandes amigos, conversavam todos os dias, um dia o sol contou a gramínea que tinha se envolvido com a lua, algo que foi muito proveitoso, pois a partir disso sol adquiriu experiência para manter a sua função: dar vida. Mas esse caso não deu certo, e os cronistas não sabem porque... Isso entristeceu a pobre gramínea, como ela poderia conquistar o sol? O grande sol que já tivera para si a própria lua...
A resposta é que ela não precisaria conquista-lo. Vejamos este incrível diálogo:
-Minea (era como ele a chamava), eu preciso dizer que toda vez que ilumino outra parte há uma vontade em mim de lhe aquecer, pois quero estar sempre perto de você, eu te amo.
-Sol (era como ela o chamava, ora, só de pronunciar este nome algo acontecia em seus vasos condutores de seiva) eu também te amo, e você literalmente é a minha vida, minha vida se resume em querer estar com você e te amar.
Um lindo diálogo, o que se esperar de uma grama e o sol?
Enfim, eles ficaram juntos, por um tempo... Mas, espere! O sol precisa iluminar outra parte, o sol sempre gentil, bondoso e atencioso precisava iluminar e avivar outros campos, sim precisava, a gramínea não se importava pois sabia que era necessário, mas sentia muito a falta do sol, chegava a murchar, e o sol se sentia péssimo em deixar a gramínea, eles entenderam que onde existe amor, mutuamente o sacrifício existirá. Mas ao passar mais um tempo, o sol percebeu que o seu calor muito próximo afetava a gramínea, mas por amor ela não se importava, o sol ficou assaz incomodado, e pediu para que eles ficassem um tempo longe, esperando para que eles pudessem se curar, ela das queimaduras e ele da dor de ver sua amada tão queimada...
Os cronistas dizem que durante esse tempo o sol continuou dando a vida, aquecendo outros seres, afinal ele era o sol, a luz da vida, a chama da sobrevivência, os outros precisavam dele. A gramínea, pobre, ficou marcada, e sofrendo durante a noite, esperando o sol de sua vida reaparecer, ela só queria dizer, que as marcas que ela tinha só lhe recordava o bom, que mesmo dolorido, aquilo representava amor, e nada do que pudesse acontecer iria mudar o ato e o fato de amá-lo, será que ele não conseguiu perceber que a pobre o amava com a própria vida? Ela o amou, eles se amaram e se amam, mas o medo de se machucarem é maior.
Este não é o fim para a gramínea e para o sol, esse conto não terá um fim, afinal de contas sempre há a primavera para a gramínea florescer e sempre há o amanhã para o sol nascer...
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