sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O sol e a gramínea

Dentre tantas possibilidades de se haver o amor, este teve que existir entre uma simples gramínea e o todo poderoso sol. Sim, incrivelmente uma única gramínea, dentre tantas outras plantas do mundo, outras mais bonitas, mais vistosas, mais interessantes, mais bem distribuídas geograficamente, com mais adaptações, entre outras qualidades. Mas o sol escolheu esta gramínea, tão comum, tão sem valor...
 Vamos aos fatos; O sol estava atarefado brincando de dar a vida na terra para os seres, todo dia o sol se levantava e fazia o seu trabalho, incansável. O sol sempre tão gentil, sempre educado, sempre preciso pra ouvir e falar, o sol tinha tudo, ele era tudo, mas lhe faltava algo; acontece que este algo ele encontrou em uma grama, perto de um campo que há muito havia sido Queimado (isso não diz nada, só é para dar exatidão de espaço). A grama era comum, era verde, frágil, digamos que poderia ser notar até um certo ar de pureza. Os cronistas não sabem como o sol notou aquela grama, o que a tornaria tão especial? Talvez fosse o seu modo de lidar com as adversidades. Tomemos como exemplo o vento, a gramínea nasce, cresce, entra em floração, dá seu fruto, e depois o vento o leva para outros arredores, mas que vida é essa em que se dorme, se sonha, acorda, cria seus sonhos para depois o vento levar? Ahhh sim, a gramínea tinha algo especial... Apesar de pequenos, ela tinha muitos sonhos.
A ironia do conto se encontra na situação onde os sonhos da gramíneas eram outros e nem de longe pensava em se envolver com o sol, mas durante  muitos dias o sol surgia para aquele campo com uma alegria Nova, fizera dali o seu lugar favorito.
Um certo dia o sol perguntou a gramínea se ela gostava da chuva, ela disse que só de alguns pingos, o sol refletiu e concordou que apenas os pingos eram suficientes para ela. Bom este diálogo nem de longe é importante, mas é o primeiro diálogo entre os dois que relatam os cronistas.
O sol e a gramínea se tornaram grandes amigos, conversavam todos os dias, um dia o sol contou a gramínea que tinha se envolvido com a lua, algo que foi muito proveitoso, pois a partir disso sol adquiriu experiência para manter a sua função: dar vida. Mas esse caso não deu certo, e os cronistas não sabem porque... Isso entristeceu a pobre gramínea, como ela poderia conquistar o sol? O grande sol que já tivera para si a própria lua...
 A resposta é que ela não precisaria conquista-lo. Vejamos este incrível diálogo:
-Minea (era como ele a chamava), eu preciso dizer que toda vez que ilumino outra parte há uma vontade em mim de lhe aquecer, pois quero estar sempre perto de você, eu te amo.
-Sol (era como ela o chamava, ora, só de pronunciar este nome algo acontecia em seus vasos condutores de seiva) eu também te amo, e você literalmente é a minha vida, minha vida se resume em querer estar com você e te amar.
Um lindo diálogo, o que se esperar de uma grama e o sol?
 Enfim, eles ficaram juntos, por um tempo... Mas, espere! O sol precisa iluminar outra parte, o sol sempre gentil, bondoso e atencioso precisava iluminar e avivar outros campos, sim precisava, a gramínea não se importava pois sabia que era necessário, mas sentia muito a falta do sol, chegava a murchar, e o sol se sentia péssimo em deixar a gramínea, eles entenderam que onde existe amor, mutuamente o sacrifício existirá. Mas ao passar mais um tempo, o sol percebeu que o seu calor muito próximo afetava a gramínea, mas por amor ela não se importava, o sol ficou assaz incomodado, e pediu para que eles ficassem um tempo longe, esperando para que eles pudessem se curar, ela das queimaduras e ele da dor de ver sua amada tão queimada...
Os cronistas dizem que durante esse tempo o sol continuou dando a vida, aquecendo outros seres, afinal ele era o sol, a luz da vida, a chama da sobrevivência, os outros precisavam dele. A gramínea, pobre, ficou marcada, e sofrendo durante a noite, esperando o sol de sua vida reaparecer, ela só queria dizer, que as marcas que ela tinha só lhe recordava o bom, que mesmo dolorido, aquilo representava amor, e nada do que pudesse acontecer iria mudar o ato e o fato de amá-lo, será que ele não conseguiu perceber que a pobre o amava com a própria vida? Ela o amou, eles se amaram e se amam, mas o medo de se machucarem é maior.
 Este não é o fim para a gramínea e para o sol, esse conto não terá um fim, afinal de contas sempre há a primavera para a gramínea florescer e sempre há o amanhã para o sol nascer...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

E o que eu sei em 19 anos?

Em quase 20 anos descobri que somos um poço de contrariedades, nossas atitudes diárias nos condena, mas isso está ligado ao fato de homem ser assaz inconstante, talvez aí esteja a graça da vida: essa inconstância e essa metamorfose diária, essa vontade de sempre nos tornarmos melhores.
Nesse tempo descobri que em gente tão pequena cabe uma quantidade enorme de amor. Descobri também que a Jéssica é aquela pessoa que pega a minha loucura, une com a dela e transforma tudo em uma coisa só. Entendi, enfim, que a distância serve pra fortalecer relações com pessoas que nutre por você sentimentos verdadeiros. Me convenci de que o Mateus é chato, me convenci também de que preferimos certas pessoas, me convenci de que a Tulany é louca, que amo a Allana, a Lara e a Bianca, que sou metade sem a Caróu, que a Kassia me acha esquisita e que realmente sou. Aprendi que saudade não mata, mas ela quase enlouquece.
Entendi que medo é inevitável e que arriscar é preciso. Entendi com grande alegria que a Ana sempre zela por mim, e aprendo desde criança que a dona Claudeci tem asas que me protegem aonde eu for.
Descobri infelizmente (ou não) que as melhores verdades do mundo são clichês. Convivi com diversos tipos de pessoas, a maioria especial na sua singularidade, pessoas legais, ou não, sinceras, fingidas, forçadas, loucas, amáveis, lindas, fofas, chatas, irritantes, seja como for, contribuíram para o meu crescimento. 
Sim, quase 20 anos e a Décima Champions do Real chegou, e a Premier League do Gerrard? Essa ainda não. Títulos que provam que não precisam existir para o amor por meus times permanecer intacto.
É... 19 anos é o fim de muitas coisas e é o começo/recomeço de coisas novas. E as certezas que me cercam nesse momento é: 1. Machado de Assis é o melhor escritor do mundo, 
2. Fernando Anitelli é o melhor letrista do Brasil 
3. Minha mãe é a melhor de todas  
4. Tenho os melhores amigos do mundo.  
5. Que nos próximos minutos tudo será saudade e reminiscências de cada minuto anterior vivido...

terça-feira, 29 de julho de 2014

"Examine-se, pois, o homem a si mesmo"

  Hoje tenho certeza de que não tenho a capacidade de deixar que algo perfeitamente bom ocorra comigo. Tudo o que quero e que eu faça, só me leva a trilhar caminhos que me magoam e me façam sofrer. E como evitar que isso ocorra? Simplesmente não consigo perceber como mudar e sair dessas situações. Só compreendo que tenho vontade de edificar tudo aquilo que me destrói, depois destruo tudo o que me destrói e depois edifico o que destruo tornando-me transgressora de mim mesma.
  A saída? Eu não vejo. Não quero ver, sinto que cada vez prefiro me isolar e tentar resolver as coisas sozinha, mesmo entendendo que não sei qual é a solução, mesmo sabendo que sozinha não sei construir a saída...
 A Aline é uma pessoa muito estranha, tem ideias que não expõe, e quer que as pessoas ao seu redor as adivinhem, toma atitudes que não quer que magoem os outros, mas como? Se são atitudes que certamente magoarão. Aline certamente quer encontrar em todas as situações o motivo para qual ela esteja certa, mas certamente isso é impossível, ninguém está 100% certo em 100% das vezes.  Talvez o que falte realmente para Aline não é a capacidade de deixar que algo realmente bom aconteça com ela, mas a sim a capacidade para reconhecer que a vida é feita erros para no futuro se tornarem acertos. Já é chegada a hora de parar de ficar presa ao passado, presa a remorsos de tudo aquilo que não queria, mas foi feito.
 Agora é hora de aprender a escolher aquilo que lhe fará bem, mesmo que esse bem seja como a flor, que agora é bonita, atrativa, e bem cheirosa, mas tudo isso é muito efêmero se for comparado ao que vem após que é o fruto, ele também é bem cheiroso e atrativo e além de tudo isso ele é interessante para nossa alimentação.
 A vida é questão de analisar tudo o que nos cerca, por mais que nossas emoções nos cegue, por mais que seja incontrolável sofrer por algo que não nos imaginamos sem; o importante é aprender a questionar para discernir porque isso está acontecendo. Já que tudo na vida tem um propósito, acredito que tudo na Terra é importante o suficiente para que as coisas simplesmente ocorram.