E Fernando Pessoa dizia que, "toda carta de amor é idiota, se não for idiota certamente não é carta de amor". Então coloco aqui uma epístola idiota justamente por falar de amor.
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- Passar a amar-te foi a minha emancipação, foi conquistar a liberdade de aprisionar-me a algo bom. E já não era mais eu, era você se fixando cada vez mais em mim, nos meus dias, na minha rotina, naquilo que outrora eu ousava chamar de vida. Veja bem como passou a ser intrigante lhe amar, pois ao mesmo tempo, uma parte de mim é você, uma outra depende diretamente de você e outra parte é para você. Já não tenho certeza se posso viver sem ti.
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-Tendo-lhe como amor nasce a inspiração para tentar compor cantigas de amigo, de amor, de escárnio e maldizer. É dar-lhe um amor realista e receber um em troca um amor romanticista ("Alencadista"). É odiar amar as contradições do outro, é amar odiar a distância que nos separa. É fazer da saudade a nossa fiel amiga e escudeira, é de alguma forma convertê-la em combustível para o amor. É querer lhe dizer todas as palavras já ditas e não ditas, mas resumir tudo em um : "Eu te amo" e mesmo assim achar que não é suficiente para você e para mim. É querer nomear o que você sente com um novo nome, pois achamos que o que sentimos já está além do amor. Mas é amor, unido a tantas outras coisas....
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